Cemitério de cabines

Dizer que as cabines telefónicas vermelhas de Londres são um ícone da cidade é dizer pouco.

Estão em cada rua de cada bairro, muitas vezes lado a lado e com vista privilegiada para os principais pontos de interesse da cidade. Estão lá todos sabem com que propósito mas… Ninguém as utiliza.
Claro que são constantemente invadidas para uma selfie, um vídeo, uma photoshoot ou qualquer outro fenómeno que domine os dias de hoje, mas não é esse o verdadeiro propósito de uma cabine telefónica. Ou talvez seja, nos dias de hoje.

Ainda estão bem vermelhinhas. Grande parte parece pronta a ser utilizada, mas são desprezadas. Em cinco dias e meio em Londres, não vi uma única pessoa a entrar numa cabine telefónica para fazer uma verdadeira chamada, uma que alguém de facto atendesse. Mas a verdade é que também (já) não o esperava.

Ao contrário dos jornais, que são uma constante nas mãos de qualquer londrino que viaje de metro diariamente – quer de manhã, quer à tarde, quer à noite, com as edições que saem e são distribuídas na segunda metade do dia –, as cabines telefónicas não resistiram aos ares dos tempos. Ou melhor, o seu interior não resistiu. A “carcaça”, essa, continua a ser muito requisitada – e talvez até mais do que nunca.

Londres, janeiro de 2017

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