Salto-eco

A luz natural já não era suficiente para a guiar. Procurava equilibrar-se enquanto caminhava pelas ruas sem um destino aparente. O sol estava a desaparecer, ninguém a acompanhava e tinha calçados uns sapatos de salto alto que prometiam dificultar-lhe a tarefa.

Os passos ecoavam por uma Staromestske Namesti cada vez mais vazia. Tinha um vestido que lhe ficava um pouco antes dos joelhos e um casaco de cabedal que terminava numa discreta gola de lã. E de repente desapareceu.

Era já meia-noite quando voltei a avistá-la. Estava no meio da praça, a cruzá-la, quando se assustou com o assinalar das badaladas, que fez com que acelerasse o passo depois de verificar o relógio de pulso que refletia o luar. Voltou a desaparecer tão depressa quanto surgira à minha frente pela primeira vez.

Praga, janeiro de 2016. Ficção.

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