Um metro

Era pequenina. Não tinha mais de um metro e dava os seus primeiros passos de liberdade. De gelado na mão, com os cabelos ao vento e passos inseguros, lá ia. Em direção ao mar e cada vez mais livre passo após passo.

A mãe observava-a, uns metros mais atrás, com um daqueles sorrisos que só as mães fazem.

O gelado já não era gelado, derretia e escorria pelos bracinhos pequeninos e pelos cantos da boca. Nem isso a fazia parar. Andava, para trás e para a frente, feliz. Pela areia com um pé e depois o outro. No final, as marcas dos pezinhos formaram as memórias daquela tarde de “só um gelado, mamã”.

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