Branco

O céu estava branco, a terra estava branca. Tudo estava branco. À minha volta, um floco. E outro. Caíam uns atrás de outros, sem parar. Caíam, caíam, e eu lá estava. Entre eles, sob eles, por baixo deles. Eram flocos que me preenchiam, que completavam as ervas, as árvores, as rochas e as paredes. Tudo estava branco e tudo branco ficava. Mais e cada vez mais.

Um passo. Outro passo. A cada um, um pé enterrado. Aqui e ali a neve caía, aqui e ali avançava. Rebolava. Gritava. Sorria. Aquecia e arrefecia. Era a neve, a neve, a neve. Só neve, só branco.

Foi assim durante um, dois, três, quatro dias. Branco, do início ao fim.

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